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sábado, 22 de maio de 2010

Portugal recebe diploma da UNESCO para Parque Gerês/Xurés



Portugal recebe hoje, Dia Internacional da Biodiversidade, um diploma da UNESCO para o parque transfronteiriço do Gerês/Xurês, classificado como uma reserva da biosfera, disse a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro.
“A UNESCO tem uma iniciativa para salientar e premiar os parques de preservação da biodiversidade e de habitats naturais. Portugal já candidatou vários locais, vários ecossistemas, e este é o último”, afirmou. O primeiro foi no Ribatejo, o Paul do Boquilobo, na junção do Almonda com o Tejo, e tem outros três nos Açores: Graciosa, Flores e Corvo. No ano passado foi seleccionada a candidatura a reserva mundial da biosfera do Parque Luso-Galaico Gerês/Xurés, coberto pelo Parque Natural Peneda-Gerês e Parque espanhol do Baixo/Límia. Dulce Pássaro afirmou ter combinado com a ministra espanhola receberem juntas amanhã o diploma, uma vez que a candidatura foi conjunta. O diploma será entregue numa cerimónia que decorrerá em Ourense, Espanha. À espera de decisão da UNESCO está a candidatura apresentada por Portugal das Berlengas, em Peniche. “As Berlengas foram candidatas. Foram sugeridas algumas reformulações na candidatura, que estão a ser processadas. As Berlengas estão a fazer caminho para ser classificadas também pela UNESCO”, acrescentou. Relativamente à legislação em vigor para travar a perda da biodiversidade, nomeadamente a directiva Aves e a directiva Habitats, a ministra considera que o que foi feito “não foi suficiente”. “Os objectivos definidos a nível comunitário não foram atingidos em 2010. O que se tem estado a discutir em Bruxelas é estabelecer-se um sistema de objectivos quantitativos e de indicadores de avaliação. Em vez de como até aqui haver recomendações, haver obrigação de fazer demarcação de áreas e identificação de sítios, vamos adoptar métodos mais facilmente avaliáveis”, acrescentou. No que respeita a possíveis constrangimentos provocados pela crise económica, Dulce Pássaro afirmou que algumas iniciativas previstas serão comprometidas, mas essencialmente no que respeita à realização de alguns estudos. “Relativamente a projectos candidatos a fundos comunitários, que têm que ter contrapartida nacional assegurada pela componente de investimento do Orçamento de Estado, nós aí não temos previsto alterar nada, consideramos prioritário o investimento”, especificou. Para Dulce Pássaro, a sensibilização da população em geral sobre as questões da biodiversidade é fundamental e um dos grandes desafios para o futuro e sobretudo para este ano. “O grande desafio está nas questões da biodiversidade passarem para o discurso e para a área de preocupação dos cidadãos. Não podem ser geridas pela comunidade técnica. As pessoas têm que entender que ao preservar a biodiversidade estão a preservar um bem público e a preservação das espécies no futuro”, disse ainda a governante.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Lagos está a caminho de ser uma cidade auto-suficiente


A cidade de Lagos mantém-se no caminho de uma importante transformação. O novo Parque Eólico do Barão de S. João, inaugurado ontem, dispõe de 25 aerogeradores, que são um importante contributo para o que poderá ser no futuro uma cidade auto-suficiente em termos energéticos. Os estudos apontam para um cenário de produção de 153 gigawatts por hora, o que equivale a uma produção de electricidade suficiente para alimentar 200 mil habitações.

Para uma cidade que em 2008 tinha pouco mais de 28 mil habitantes, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, o parque ontem inaugurado é quase uma promessa de uma população inteiramente abastecida com energia renovável. O cenário, para já, ainda não é esse, mas o presidente da Câmara de Lagos, Júlio Barroso, considera que este projecto transporta a "imagem do que se pretende para a cidade", contando a partir de agora com aquele que é o maior parque eólico do país, segundo descreveu o ministro da Economia, Vieira da Silva, durante a inauguração.

O governante manifestou-se convencido de que os novos aerogeradores irão contribuir para que Portugal atinja a meta a que se propôs: criar as condições para que 60 por cento da energia provenha de fontes renováveis. Vieira da Silva destacou também que se trata de "mais uma importante peça numa estratégia que tem a mais elevada prioridade", lembrando a importância de diversificar territorialmente a produção de energia.

O Parque Eólico do Barão de S. João representa um investimento de 70 milhões de euros, desenvolvido pela empresa E.On - um dos maiores operadores privados no mercado da electricidade e gás. O presidente da empresa, Miguel Antoñanzas, vincou que o objectivo é atingir uma capacidade de produção energética suficiente para alimentar 200 mil habitações.

Prioridade para a expansão

O autarca de Lagos adiantou ao PÚBLICO que o plano de urbanização já aprovado, mas ainda não em vigor, abre espaço e lança um desafio aos investidores e promotores turísticos. "Estamos a desenvolver o plano de pormenor do espaço Tecnopolis - a nova área de expansão da cidade, com cerca de 60 hectares - para que venha a ser uma zona onde só terão lugar os projectos inovadores em termos urbanísticos, tendo como matriz a defesa do meio ambiente e a sustentabilidade."

Júlio Barroso acrescentou que, a partir de agora, dará "prioridade na análise do processo de licenciamento aos projectos que incorporem energias renováveis".

Aves migratórias protegidas por GPS

Uma das novidades do parque eólico ontem inaugurado, em Lagos, é uma tecnologia que permite salvar aves - algo muito importante num local como este, fortemente integrado nas rotas migratórias.

O sistema foi desenvolvido por portugueses, mas é inspirado por aplicações da NASA e da Força Aérea norte-americana. As aves são detectadas por um sistema de radar e tecnologia GPS, e que travam as gigantescas pás sempre que se aproxima uma águia, cegonha, abutre ou um simples pardal. Miguel Repas, da empresa STRIX, responsável pelo desenvolvimento desta nova tecnologia para parques eólicos, calcula que os aerogeradores deverão parar cerca de 150 horas por ano.

A associação ambientalista Almargem mostra-se cautelosa em relação ao sistema de defesa das aves. "Vamos esperar para ver", disse João Ministro, lembrando que o local de implantação deste novo parque éolico de Lagos é uma "zona muito importante" nas rotas migratórias. A águia imperial, que só existe na Península Ibérica, "esteve desaparecida, e começou a ser vista naquele local há cerca de três ou quatro anos". Por isso, este vai ser um projecto que vai ser "seguido de perto" pelos estudiosos da avifauna

João Ministro considera que o mais importante é perceber a "eficácia do sistema", porém, salienta que a empresa que aplicou a nova tecnologia já fez testes com resultados positivos: "Aparentemente, funciona bem, vamos ver como vai ser na prática." com Lusa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Prémio ideias verdes

“Fundação Luso-Expresso” 2010

O respeito e a protecção do Ambiente são um factor de competitividade das empresas e uma obrigação em termos de desenvolvimento sustentável. Num momento em que o ambiente e a biodiversidade estão na ordem do dia, é com grande entusiasmo que a Fundação Luso e o Jornal Expresso regressam em 2010 com mais uma edição do "Prémio Ideias Verdes Fundação Luso-Expresso”, uma iniciativa conjunta que tem como objectivo dar expressão a novos valores na concretização de projectos inovadores e úteis para a sociedade portuguesa na área do Ambiente.

O Prémio 'Ideias Verdes Fundação Luso-Expresso' foi lançado oficialmente em 7 de Março de 2007, por Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Conselho de Administração da Sojornal – Expresso, e Alberto da Ponte, Presidente da Comissão Executiva da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas aquando do 3º Fórum do Comércio Moderno, organizado pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).


Para mais informações: http://www.sociedadeagualuso.pt/ideiasverdes/

Inaugurada primeira cabine telefónica que serve de ponto de recarga para carros eléctricos

As cabines telefónicas, dinossauros tecnológicos em desuso devido ao aparecimento dos telemóveis, vão estar na vanguarda tecnológica com a chegada do carro eléctrico, servindo de pontos de recarga da nova rede de mobilidade verde, em Espanha.
Ontem de manhã foi inaugurada a primeira cabine em Espanha, ao lado da sede da tecnológica Telefónica, em Madrid, um projecto que resultou de uma parceria entre a Endesa e a Telefónica. Prevê-se que, em Dezembro, quando este projecto-piloto deverá estar concluído, estejam instalados equipamentos de recarga em 30 das 1700 cabines da capital que reúnem as características necessárias para o carregamento de automóveis eléctricos. Por enquanto, os cartões de recarga são gratuitos e vão ser facultados pela autarquia, num projecto que representa um investimento da Endesa e da Telefónica entre os três e os seis mil euros por cabine. Em Espanha existem 15 mil cabines - de um parque total de 60 mil - que podem ser dotadas desta tecnologia sem que isso implique “obra civil acrescida”, segundo explicou Guillermo Ansaldo, presidente da Telefónica espanhola, na apresentação de ontem. Com este sistema, os proprietários de um carro eléctrico têm apenas de ligar o seu veículo a uma destas cabines e inserir o cartão de pagamento para recargas, indicando o tempo que desejam, que pode ir de uma a oito horas, o máximo que a bateria demora para se carregar totalmente. Com três horas de carregamento, a bateria fica a 60 por cento da sua capacidade. O dispositivo de abastecimento bloqueia-se automaticamente ao ligar um veículo, de maneira a que o proprietário do carro não tenha de esperar junto da sua viatura até ao final do processo. No fim deste ano, a Endesa terá posto em funcionamento 280 postos de recarga em Madrid, assegurou o presidente da empresa, Borja Prado, acrescentando que, em 2011, a capital será “a cidade com a rede mais extensa do mundo”. Gallardón afirmou também que a estes pontos somam-se os que já estão a ser instalados nos parques subterrâneos de Madrid, pelo que “em muito pouco tempo” a capital espanhola contará com cerca de 500 pontos de carregamento. Em Portugal, em Junho de 2009, foi lançado o Programa de Mobilidade Eléctrica, uma rede de abastecimento de veículos eléctricos, uma das primeiras da Europa, que prevê a instalação de 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e 1300 daqui a dois anos. Na fase piloto, que durará até 2011, a rede para a Mobilidade Eléctrica (Mobi-e) é constituída por um conjunto de 21 municípios: Guarda, Faro, Braga, Viana do Castelo, Guimarães, Sintra, Évora, Castelo Branco, Loures, Porto, Lisboa, Almada, Leiria, Coimbra, Setúbal, Beja, Aveiro, Torres Vedras, Santarém, Cascais e Gaia.

Lusa

terça-feira, 11 de maio de 2010

A tecnologia também quer ser verde

Porque muitas vezes agimos por modas, aqui vai uma positiva!

Trocar de telemóvel significa aceder a novas funcionalidades. Mas também contribuir para o problema do lixo electrónico. E até pesquisar no Google ajuda ao efeito de estufa — muito mais do que a maioria das pessoas pensa.
O mundo da tecnologia não é exactamente um bom exemplo ecológico. Uma das razões para o grande impacto ambiental das novas tecnologias é a rapidez com que os aparelhos electrónicos ficam obsoletos. Como sabe qualquer pessoa que já tenha feito compras, é curto o período de tempo que demora para que a mais recente inovação no mercado passe a ser um aparelho ultrapassado — televisões, máquinas fotográficas, computadores e, especialmente, telemóveis são trocados com muita frequência. Aliás, o lançamento sucessivo de novos modelos, com pequenos aumentos de desempenho ou mais uma ou outra funcionalidade faz até parte da estratégia de negócio de algumas empresas. Em média, os portugueses compram um telemóvel novo a cada dois anos. Isto leva a que milhares de telemóveis vão todos os anos para o lixo. É certo que nem todos são simplesmente deitados fora. Há empresas especializadas na reciclagem de alguns dos materiais usados, mas substâncias perigosas como o chumbo e o mercúrio acabam com frequência em lixeiras. Outra prática que reduz o impacto ambiental é a recuperação e venda de telemóveis a países em desenvolvimento. Alguns países asiáticos e africanos compram anualmente toneladas de telemóveis já usados nos países ocidentais. Foi a pensar neste problema — e, também, na hipótese de aliciar clientes com maior consciência ecológica — que várias empresas do sector tomaram medidas para tornar os telemóveis mais “verdes”. Uma das mais populares no sector foi simplesmente reduzir o tamanho da embalagem, o que permite não apenas a poupança dos materiais de fabrico, mas também faz com que sejam transportados mais telemóveis num mesmo veículo, reduzindo assim a emissão de gases de efeito de estufa. Outra medida já no mercado é a venda de telemóveis sem carregador. Tipicamente, comprar um telemóvel signifi ca também comprar um carregador novo — mesmo que o carregador que já se tem em casa seja compatível com o aparelho recém-comprado. Recentemente, a Nokia resolveu colocar à venda, em Portugal e no Reino Unido, um modelo de telemóvel (com o comprido nome de Nokia 6700 slide Alluminium Raw Chargeless Phone) sem carregador. A ideia é que os compradores usem o carregador antigo. Mais: o dinheiro que a empresa poupa é entregue ao Fundo Mundial para a Natureza (conhecido pela sigla inglesa WWF), uma das maiores organizações ambientalistas do mundo. Já a Samsung quis levar o conceito de biodegradável para um novo patamar e introduziu no mercado vários telemóveis feitos de milho. Na verdade, a descrição é mais surpreendente do que a realidade. A aparência destes aparelhos é normalíssima e apenas a estrutura exterior é de bioplástico, um material biodegradável à base de milho. Moda ecológica O consumo energético é também um problema conhecido — do portátil ao leitor de mp3, passando pela televisão e leitor de DVD, é fácil chegar à dezena de aparelhos ligados à tomada numa única casa. Por isso, abundam as hipóteses de carregar os aparelhos recorrendo a painéis solares. Há mini-painéis que podem ser comprados e estão preparados para carregar vários tipos de aparelhos. Para o iPhone (um telemóvel que consome muita bateria e que na maioria dos casos obriga a carregamentos diários), há vários acessórios capazes de aproveitar a luz solar, desde carregadores externos a capas protectoras que já têm painéis instalados.Em Portugal, a TMN anunciou esta semana um telemóvel “verde” chamado Blue Earth e fabricado pela Samsung (a mesma dos telemóveis de milho). O aparelho é de plástico reciclado e toda a parte de trás é um painel solar. O Blue Earth traz ainda uma aplicação que permite contar os passos de uma caminhada e determinar quanto se poupou em emissões de dióxido de carbono (CO2) em relação ao mesmo trajecto feito de carro. Por fim, e naquilo que a TMN garante ser uma inovação mundial, o telemóvel é vendido com um cartão da operadora feito de papel reciclado, graças a uma tecnologia japonesa. Também já existem várias mochilas e malas equipadas com estes painéis. No mês passado, a edição americana da revista Elle deu um empurrão a este conceito, ao pedir a vários designers (inclusive da conhecida marca Tommy Hilfi ger) que criassem malas com painéis solares. O acessório destina-se a mulheres que façam questão de ter sempre o telemóvel ou leitor de mp3 carregados. A iniciativa é uma parceria com o projecto Portable Light (luz portátil), criado por uma arquitecta americana e que visa introduzir sacos com painéis solares nos países do Terceiro Mundo. “A possibilidade de carregar um telemóvel e de ter alguma luz pode ser um passo para sair da pobreza”, explicou à agência Reuters a mentora do Portable Light, Sheila Kennedy. Já as malas da Elle vão ser leiloadas no site da revista, por um preço que, avisou uma das directoras da publicação, não será barato. A pegada da Google O uso das tecnologias implica ainda gastos de energia em que a maioria das pessoas não pensa — até porque nem sequer aparecem na factura de electricidade. Fazer uma pesquisa no Google ou em qualquer outro motor de busca implica obviamente o gasto de electricidade do computador do utilizador. Mas também signifi ca outro gasto — e signifi cativo — do lado dos poderosos computadores da empresa, que têm de processar a busca feita pelo cibernauta e devolver os resultados. Os parques informáticos da Google, como acontece com as grandes empresas tecnológicas, estão instalados em enormes centros de dados. São milhares de processadores a trabalhar em simultâneo e a gastar electricidade. E, como os processadores aquecem, estes centros precisam ainda de ser arrefecidos por sistemas intensivos, o que signifi ca mais energia consumida. Resumidamente, isto quer dizer que por cada pesquisa feita no Google, há muita electricidade a ser gasta pela empresa. O mesmo é válido para compras que são feitas online, na Amazon, no eBay ou no iTunes. Para além de tudo isto, e como a comunicação entre o cibernauta e os centros de dados destas companhias se faz através de fornecedores de acesso à Internet, vai ainda haver gastos energéticos ao nível da infra-estrutura de comunicações. A pegada ecológica da Google é algo que está na base de críticas frequentes à empresa. Segundo números da própria multinacional, uma pesquisa simples (introduzir as palavras-chave e premir enter) produz 0,2 gramas de CO2. O problema são as pesquisas mais complexas, em que o utilizador tem de fazer várias tentativas para encontrar o que quer. No ano passado, o físico Alex Wissner-Gross, da Universidade de Harvard, publicou um estudo em que concluiu que uma pesquisa média (que demora alguns minutos) é responsável pela emissão de cerca de sete gramas de dióxido de carbono. O académico notou então que duas pesquisas emitem a mesma quantidade do gás nocivo que uma chaleira a ferver. É muito menos do que secar o cabelo (40 gramas) ou andar um quilómetro de carro (uma emissão que pode ir dos 80 gramas no caso dos utilitários, aos 500 gramas, no caso de desportivos de topo). Mas também há muito mais pesquisas no Google do que pessoas a usarem secadores ou a conduzirem automóveis. Os números variam consoante as empresas de análise, mas as estimativas rondam os dez milhões de buscas — a cada hora. É certo que comprar um telemóvel de milho ou uma mala com painéis solares da Tommy Hilfi ger implica abrir os cordões à bolsa. Mas, pelo menos, da próxima vez que abrir o Google, pense bem se vale a pena fazer a pesquisa. Não custa nada.