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domingo, 23 de maio de 2010

EUA continuam a lutar contra maré negra

O Presidente norte-americano pediu ao Congresso para desbloquear uma ajuda urgente de 129 milhões de dólares para lutar contra a maré negra no golfo do México.
"Não pouparei qualquer esforço para apagar os vestígios dos prejuízos causados, ajudar aqueles cujo ganha-pão foi afectado pela maré negra e limpar as costas" dos Estados atingidos, declarou o presidente Barack Obama, numa carta dirigida à presidente da Câmara dos representantes, Nancy Pelosi.
Deste modo, uma centena de milhões de dólares será concedida aos guarda-costeiros e 29 milhões ao ministério do Interior para actividades (controlos, estudos...) não assumidas pelos responsáveis pela poluição e pelo Fundo de reacção às marés negras, subsidiado pelas companhias petrolíferas.
Posto isto, três semanas após o início da maré negra, a administração Obama propôs taxar mais os grupos petrolíferos e mobilizou os melhores cientistas do país para ajudar a BP a conter a fuga de produto bruto.
Verificou-se ja em Houston, Texas, uma reunião com físicos, engenheiros ou geólogos, os "melhores" no seu domínio, segundo Steven Chu, no centro operacional do grupo britânico BP, que explorava a plataforma cujo naufrágio a 22 de Abril causou a maré negra.
A sua missão é pensar de forma "diferente" para tentar lutar contra a fuga que espalha todos os dias cerca de 800 mil litros de produto bruto ao largo as costas norte-americanas.

sábado, 22 de maio de 2010

Ambiente pode sair a ganhar com a crise

Energias renováveis são uma aposta que se torna mais barata a longo prazo.

"A crise abriu caminho a uma verdadeira oportunidade para a modernização das empresas, para investirem na eficiência energética e no uso eficiente de recursos naturais." A ideia adiantada pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa que foi discutida na Conferência Desafios pós-Copenhaga, realizada para Estados e empresas de modo a perceberem as oportunidades associadas a novas formas de produção e consumo mais eficientes.
Francisco Ferreira, vice-presidente da associação ambientalista Quercus, concorda com Humberto Rosa e admite que "é um facto que a crise contribuiu para a diminuição dos gases de efeito de estufa e que a eficiência energética torna as empresas mais competitivas". As empresas estão a apostar no "verde", e isso pode ser um "empurrão para a saída da crise".
Aliás, o secretário de Estado admite mesmo que esta será a melhor forma de uma empresa caminhar para a rendibilidade: "As empresas com mais capacidade de análise sabem que, se não aproveitarem para reconfigurar a sua actuação, as suas fragilidades e ineficiências, ficarão sujeitas a que novas crises lhes batam à porta nos mesmos moldes. Tudo isto são incentivos fortes para as empresas e a economia se guiarem por critérios de sustentabilidade, os quais implicam descarbonização e redução de emissões."
O senão vem do investimento inicial necessário, que em tempo de crise financeira não abunda nas empresas. "Apesar de os investimentos compensarem o custo económico, é necessário que haja um investimento inicial. Nesta altura, a capacidade de endividamento das empresas é má e ficam um pouco reticentes em relação a estas mudanças", palavras do vice-presidente da Quercus.

O Ministério do Ambiente tem apoiado esta "ambientalização" das empresas, não com dinheiro, mas colaborando e dando informação em áreas cruciais, como águas, resíduos, energia, alterações climáticas ou biodiversidade. "Áreas da legislação ambiental mais determinantes, como o licenciamento ambiental, a avaliação de impacte ambiental ou a responsabilidade ambiental", exemplos dados por Humberto Rosa.

Entretanto, Portugal vai-se tornando pioneiro numa economia baseada em baixas emissões de carbono. "A relação entre o PIB e as emissões vem decaindo sem parar desde 2006, independentemente do efeito da crise económica", terminou o secretário de Estado do Ambiente.

“Valorização económica da biodiversidade ainda é um trabalho inacabado”, Humberto Rosa

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, considerou ontem num seminário promovido pela Spea que a “valorização económica da biodiversidade ainda é um trabalho inacabado”. Talvez por isso, a conservação ainda não seja um assunto “liderante na política internacional”.
Nas palavras de Humberto Rosa, a perda de biodiversidade – “a matéria mais complexa do universo”, depois de milhões de anos de evolução – é irreversível e as taxas de extinção de espécies estão acima do ritmo que seria natural. “Devíamos perguntar por que não é este um assunto liderante na política internacional”, desafiou ontem em Lisboa.
O responsável acredita que ainda há “pouca consciência do valor instrumental da biodiversidade”, apesar de já existirem projectos de conservação que também se traduzem em benefícios económicos.

Como o projecto Life Priôlo, para proteger esta espécie de ave endémica da ilha de São Miguel, Açores, e seu habitat. Segundo Luís Costa, director-executivo da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (Spea), organização responsável pelo projecto, com um investimento de 2,6 milhões de euros em cinco anos (2003 a 2008), os serviços proporcionados pelo ecossistema na zona intervencionada podem render sete milhões de euros por ano. “Do dinheiro investido, cerca de dois milhões de euros foram despendidos na região”, salientou durante o seminário “Biodiversidade, um investimento com futuro”.
No âmbito do projecto foram limpos 230 hectares de espécies exóticas invasoras, foram plantadas 60 mil plantas autóctones e criaram-se uma média de 20 postos de trabalho anuais.
Alfredo Sendim, gestor da Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo, acredita que é possível ter sustentabilidade económica e, ao mesmo tempo, optar por actividades que utilizam os recursos naturais de forma eficiente. “É possível termos sustentabilidade económica e criar riqueza” com modelos de gestão que integrem as questões da biodiversidade, disse este responsável.

Domingos Leitão, da Spea, lembrou que “a qualidade de uma região também se mede pela sua qualidade ambiental”.

No entanto, o número de projectos de conservação portugueses aprovados para financiamento do programa europeu Life+ “ficam aquém da dotação indicativa”, alertou João Salgado, da equipa de acompanhamento deste instrumento em Portugal e Espanha. “A principal causa para este facto é o reduzido número de propostas apresentadas e em muitos casos a menor qualidade das mesmas”. No ano passado só foi aprovado um projecto. A dotação para Portugal este ano é de 6,8 milhões de euros e a data limite para o envio de propostas às autoridades dos Estados membros é 1 de Setembro.

Ainda assim, desde 1992 já foram aprovados 57 projectos Life Natureza em Portugal, com um total de 38,9 milhões de euros. A maioria foi aplicada no Alentejo e Madeira e em projectos de conservação de habitats e aves.